PAPA FRANCISCO PEDE DIA DE ORAÇÃO E JEJUM POR PAZ NA SÍRIA

 Pontífice convidou pessoas de todas as religiões para se juntar à vigília.

paz 

O Papa Francisco pediu que as pessoas se unam a ele no próximo fim de semana em um dia de oração e jejum pela paz na Síria. O pontífice convidou as pessoas de todas as religiões para se juntar a ele no sábado à noite, para evocar o "dom" da paz para a Síria, o resto do Oriente Médio e em toda região do mundo onde haja conflito.

“Por isso, irmãos e irmãs, decidi convocar para toda a Igreja, no próximo dia 7 de setembro, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, e no mundo inteiro, e convido também a unir-se a esta iniciativa, no modo que considerem mais oportuno, os irmãos cristãos não católicos, aqueles que pertencem a outras religiões e os homens de boa vontade”.

Declarando "não mais guerras", Francisco condenou o uso de armas químicas, numa fala a dezenas de milhares de pessoas reunidas na praça neste domingo (01/07/13).

"Condeno firmemente o uso de armas químicas. Ainda tenho gravadas na memória e no coração as terríveis imagens dos últimos dias", disse o papa argentino, antes de exclamar: "Há um julgamento de Deus e um julgamento da História diante de nossas ações, de que não podemos escapar!".

Reiterando sua firme oposição a qualquer intervenção armada na Síria, o Papa pediu "com todas as suas forças" que as partes em conflito na Síria "sigam com valentia o caminho da negociação".

Francisco exortou também a comunidade internacional "a fazer todos os esforços para promover sem hesitações as iniciativas de paz" na Síria. Ele disse que o "mundo precisa ver gestos de paz e ouvir palavras de paz" e que só o diálogo, e não a intervenção armada, pode acabar com a guerra civil na Síria.

"O uso da violência não traz a paz. A guerra chama a guerra. A violência chama a violência", ressaltou.

O Papa se disse "muito ferido", não só "pelo que está acontecendo na Síria", mas também pelos "dramáticos acontecimentos que se projetam", em uma referência às declarações do presidente americano, Barack Obama, e de seu colega francês, François Hollande, que parecem estar determinados a "castigar" o regime sírio.

Obama anunciou a sua decisão de atacar o regime sírio, embora vá pedir o aval do Congresso, que está em recesso até 9 de setembro.

Em uma coincidência ou por decisão tática, o dia de oração e de jejum decretado pelo Papa será realizado dois dias antes, em 7 de setembro.

Essa forte iniciativa segue a lançada pelo papa João Paulo II após os atentados contra as torres do World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001. O papa polonês também havia pedido ao mundo inteiro um dia de jejum e de oração pela paz.

Segundo o vaticanista Luigi Accattoli, entrevistado pela AFP, na tradição cristã o jejum é muito menos preciso do que na religião judaica ou na muçulmana. "Cada um interpreta a sua maneira, sem comer, sem beber, ou evitando simplesmente alguns alimentos ou alguns pratos".

Outras jornadas mundiais de jejum e oração foram decretadas no passado, mas eram "dias de paz", anunciados com antecedência e sem relação com um conflito específico.

Papa anunciou que estará na Praça de S. Pedro no próximo sábado, numa vigília de oração:

“No dia 7 de setembro, na Praça de São Pedro, aqui, das 19h00min até as 24h00min, nos reuniremos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo. A humanidade precisa ver gestos de paz e escutar palavras de esperança e de paz! Peço a todas as Igrejas particulares que, além de viver este dia de jejum, organizem algum ato litúrgico por esta intenção. Peçamos a Maria que nos ajude a responder à violência, ao conflito e à guerra com a força do diálogo, da reconciliação e do amor. Ela é mãe: que Ela nos ajude a encontrar a paz; todos nós somos seus filhos! Ajudai-nos, Maria, a superar este momento difícil e a nos comprometer a construir, todos os dias e em todo lugar, uma autêntica cultura do encontro e da paz. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!”.

 

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